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16/12/2020

Desigualdade de salários vai a novo recorde no terceiro trimestre de 2020

Dados da Pnad Contínua trimestral divulgados pelo IBGE em 27 de novembro de 2020 mostram que a desigualdade de renda bateu recorde novamente no Brasil no terceiro trimestre desse ano. A recuperação da atividade econômica, após o relaxamento das medidas de distanciamento social por causa da pandemia, vem acontecendo de forma concentradora de renda.


Dados da Pnad Contínua trimestral divulgados pelo IBGE em 27 de novembro de 2020 mostram que a desigualdade de renda bateu recorde novamente no Brasil no terceiro trimestre desse ano. A recuperação da atividade econômica, após o relaxamento das medidas de distanciamento social por causa da pandemia, vem acontecendo de forma concentradora de renda.

Segundo o pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia ─Ibre da FGV, economista Daniel Duque “o mercado de trabalho mostra uma pequena melhora em relação ao segundo trimestre, que foi o pior da crise, mas é uma recuperação que concentra os ganhos na população mais rica”.

O índice de Gini da renda do trabalho é 0,681 no trimestre encerrado em setembro, o mais alto da série histórica que teve início no quarto trimestre de 2015. Vale lembrar que o índice de Gini é um indicador de desigualdade que varia de 0 a 1, onde zero indica a igualdade perfeita. Portanto, quanto maior o número, maior a disparidade de rendimentos.

Para o pesquisador Duque o que acontece agora no terceiro trimestre é diferente do que houve no segundo. Pois, agora, “a desigualdade é puxada pela melhora de renda dos trabalhadores melhor remunerados (aqueles com carteira assinada); enquanto no período de abril a junho, a forte alta da desigualdade foi puxada pelo fato de que, naquele momento, os trabalhadores informais foram os que mais perderam renda, devido à impossibilidade de trabalhar com as medidas de distanciamento social”. Ele resume assim: “no segundo trimestre foi uma questão de quem perdeu mais, que foram os mais pobres; agora, a questão é quem ganhou, que foram os mais ricos”.

Assim, do ponto de vista desse pesquisador, o avanço da desigualdade de renda do trabalho no terceiro trimestre, mesmo em meio à retomada da atividade econômica, é explicado por três fatores, a saber:

1) Recuperação da renda dos trabalhadores formais. Haja vista que uma parte dos trabalhadores formais que teve redução de jornadas e salários, como parte do programa BEm (Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e Renda), instituído pelo governo em abril, voltou ─ no terceiro trimestre ─ a receber seus rendimentos de forma integral. 2) No terceiro trimestre ainda houve perdas de vagas nos setores de serviços e comércio, que empregam trabalhadores menos qualificados. 3) O auxílio emergencial, que até setembro era R$ 600,00, manteve reduzida a participação dos empregados de menor renda, no mercado de trabalho.

A expectativa é que a desigualdade de renda do trabalho nos próximos trimestres volte a diminuir, à medida que o mercado de trabalho volte a se recuperar com maior força para os informais e à medida que o fim do auxílio emergencial leve essas pessoas de volta ao mercado de trabalho.