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Assédio Moral

Juridicamente, pode ser considerado como um abuso emocional no local de trabalho, de forma maliciosa, não sexual e não-racial, com fim de afastar o empregado das relações profissionais, através de boatos, intimidações, humilhações, descrédito e isolamento.


Seu chefe tende a “diminuir” um ou mais empregados, utilizando-se de meios maliciosos, cruéis ou humilhantes?
Ele torna difícil a vida dos que são capazes de trabalhar melhor do que ele?
Ele se dirige ao pessoal através de gritos ou insiste no fato de que somente a maneira dele trabalhar é boa?
SE A RESPOSTA FOR “SIM” A UMA DAS PERGUNTAS, CUIDADO!
VOCÊ PODE ESTAR SENDO ASSEDIADO E NÃO SABE.

 

Caso você ou seu colega tenha passado ou esteja passando por isso, a situação é muito grave. Trata-se de assédio moral.

Nem todo assédio é sexual. Pesquisas têm demonstrado os malefícios do stress em geral, e especificamente, da violência moral ou psicológica no ambiente de trabalho.

 
Mas o que é o “assédio moral”?

Juridicamente, pode ser considerado como um abuso emocional no local de trabalho, de forma maliciosa, não sexual e não-racial, com fim de afastar o empregado das relações profissionais, através de boatos, intimidações, humilhações, descrédito e isolamento.


O assédio pode ser visto pelo ângulo do abuso de direito do empregador de exercer seu poder diretivo ou disciplinar. Porque é sob o manto do exercício normal de suas prerrogativas patronais que o assédio se manifesta mais freqüentemente nessas hipóteses, as medidas empregadas têm por único objetivo deteriorar, intencionalmente, as condições em que o trabalhador desenvolve seu trabalho. É o caso, por exemplo, de uma transferência de local de trabalho, com o objetivo de desestabilizar o empregado. Evidentemente, trata-se de um caso de abuso de direito sutil e, portanto, mais difícil de ser demonstrado.

Parece, porém, que o assédio moral tem suas vítimas preferidas: empregados em alguma situação de vulnerabilidade (mais de 50 anos, estáveis, com salários melhores). Geralmente a vítima fica exposta ao “assédio do chefe novo”. É certo que o seu estado de subordinação em que se encontra pode propiciar abusos por parte do empregador ou de seus representantes. Uma ordem ilegal, por exemplo, pode vir a ter seu cumprimento exigido por meio de assédio moral.

A situação se agrava diante da crise provocada pelo desemprego e pela intensa competitividade no mercado de trabalho.

 

 

Pontos-chaves que funcionam como um termômetro na relação profissional:

  • Seu chefe não o cumprimenta?
  • Ele desvia o olhar quando você se aproxima?
  • Ele não mais lhe dirige a palavra?
  • Ele não mais deixa que você dirija-lhe a palavra?
  • Ele age como se você não existisse?


Na realidade, o assédio moral constitui um risco invisível, mas efetivo. Invisível porque não pode ser concretamente palpável. E efetivo porque pode ser concretamente realizável.

Os riscos a que corre a vítima de assédio são variados. Podem ir de uma má fama até o suicídio. Mas passa sempre por uma certa destruição psicológica.

Todo assédio moral pode constituir um perigo para a saúde do trabalhador. De uma forma sistemática, podemos assim enumerar os efeitos do assédio moral:

 

  • Endurecimento e esfriamento das relações no ambiente de trabalho;
  • Dificuldade para enfrentar as agressões e interagir em equipe;
  • Isolamento de internalização;
  • Sentimento de pouca utilidade, de fracasso e de “coisificação”;
  • Falta de entusiasmo pelo trabalho;
  • Falta de equilíbrio quanto às manifestações emocionais, por exemplo, com crises de choro ou de raiva;
  • Diminuição da produtividade;
  • Aumento do absenteísmo;
  • Demissão;
  • Desemprego; Enfraquecimento da saúde;
  • Tensão nos relacionamentos afetivos;
  • Suicídio.

O que nos leva a colocar este artigo é chamar a atenção pelo que se passa dentro de cada escola, que é, pois, essencial para a democracia e para a afirmação dos direitos fundamentais dos indivíduos. Obrigação de todos, no limite de suas responsabilidades, o bom ambiente do local de trabalho constitui um dos sinais do progresso social.

 

Muito embora a Consolidação das Leis do Trabalho, no Brasil, ainda não contenha dispositivos específicos para a prevenção do assédio moral, é dever de toda empresa propor estratégias e ações que visem eliminar a discriminação e o tratamento degradante e que protejam a dignidade da pessoa humana, em matéria de trabalho. E é isso que pedimos para os dirigentes das escolas particulares de Campinas e Região.
(Fonte: Mannrich, Nelson. Revista de Direito do Trabalho, 103, Ano 27, julho-setembro, 2001)


Auxiliar: caso você ou seu colega esteja passando por uma dessas situações DENUNCIE ao Sindicato!